terça-feira, 5 de abril de 2011

Blog de artesanato muito bonitinho!!!

http://www.elo7.com.br/index.do

Nesse site se vende produtos artesanais. É de lá, também, as figuras da corujinha e da cachorrinha.
Quem quiser encomendar é pelo próprio site.

A Cachorrina

Mas que amor de cachorrinha!
Mas que amor de cachorrinha!

Pode haver coisa no mundo
Mais branca, mais bonitinha
Do que a tua barriguinha
Crivada de mamiquinha?

Pode haver coisa no mundo
Mais travessa, mais tontinha
Que esse amor de cachorrinha
Quando vem fazer festinha
Remexendo a traseirinha?

Uau, uau, uau, uau!
Uau, uau, uau, uau!


                                    Tom Jobim/Vinícius de Moraes

Mais uma do Millôr...

"Pensar. Eis um verbo reflexivo".

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Cão! Cão! Cão!

       Abriu a porta e viu o amigo que há tanto não via. Estranhou apenas que ele, amigo, viesse acompanhado de um cão. O cão não muito grande mas bastante forte, de raça indefinida, saltitante e com um ar alegremente agressivo. Abriu a porta e cumprimentou o amigo, com toda efusão. "Quanto tempo!" O cão aproveitou as saudações, se embarafustou casa adentro e logo o barulho na cozinha demonstrava que ele tinha quebrado alguma coisa. O dono da casa encompridou um pouco as orelhas, o amigo visitante fez um ar de que a coisa não era com ele. "Ora, veja você, a última vez que nos vimos foi..." "Não, foi depois, na..." "E você, casou também?" O cão passou pela sala, o tempo passou pela conversa, o cão entrou pelo quarto e novo barulho de coisa quebrada. Houve um sorriso amarelo por parte do dono da casa, mas perfeita indiferença por parte do visitante. "Quem morreu definitivamente foi o tio... Você se lembra dele?" "Lembro, ora, era o que mais... não?" O cão saltou sobre um móvel, derrubou o abajur, logo trepou com as patas sujas no sofá ( o tempo passando) e deixou lá as marcas digitais de sua animalidade. Os dois amigos, tensos, agora preferiam não tomar conhecimento do dogue. E, por fim, o visitante se foi. Se despediu, efusivo como chegara, e se foi. Se foi. Mas ainda ia indo, quando o dono da casa perguntou: "Não vai levar o seu cão?" "Cão? Cão? Cão? Ah, não! Não é meu, não. Quando eu entrei, ele entrou naturalmente comigo e eu pensei que fosse seu. Não e seu, não?"
                                                                                                                                   Millôr Fernandes

Negócio da Roça

        - Comprei um cavalo por 700 cruzeiros e vendi por 900. Não ganhei nem perdi.
       - Mas como? Se você comprou por 700 e vendeu por 900, como é que você não ganhou nem perdeu?
       - Não ganhei nem perdi.
       - Você não disse que comprou por 700?
       - Comprei.
       - E não vendeu por 900?
       - Vendi.
       - Então você ganhou 200.
       - Não ganhei nem perdi.
       - Mas como?
       - Comprei o cavalo por 700 contos e não paguei. Vendi por 900 e não me pagaram. Não ganhei nem perdi.
                                                      Rubem Braga. Recado de Primavera

sábado, 2 de abril de 2011

Corujinha

Corujinha, corujinha
Que peninha de você
Fica toda encolhidinha
Sempre olhando não sei que
O teu canto de repente
Faz a gente estremecer




Corujinha, pobrezinha
Todo mundo que te vê
Diz assim, ah! coitadinha
Que feinha que é você

Quando a noite vem chegando
Chega o teu amanhecer
E se o sol vem despontando
Vais voando te esconder
Hoje em dia andas vaidosa
Orgulhosa com quê
 
Toda noite tua carinha
Aparece na TV
Corujinha, corujinha
Que feinha que é você!
                                                                                               Vinícius de Moraes/Toquinho

O pombo

            Vinícius de Moraes contava ter ouvido de uma sua tia-avó, senhora idosa muito boazinha, que um dia ela estava na sala de jantar, em sua casa do interior, quando um lindo pombo pousou na janela. A senhora foi se aproximando devagar e conseguiu pegar a ave. Viu então que em uma das patas havia um anel metálico onde estavam escritas umas coisas.
            — Era um pombo-correio, titia.
            — Pois é. Era muito bonitinho e mansinho mesmo. Eu gosto muito de pombo.
            — E o que foi que a senhora fez?
            A senhora olhou Vinícius com ar de surpresa, como se a pergunta lhe parecesse pueril:
            — Comi, uai.
                                                                                                                  Rubem Braga
Faça seu marcador de livro para não se perder na leitura!

No meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra 
tinha uma pedra no meio do caminho 
tinha uma pedra 
no meio do caminho tinha uma pedra. 
Nunca me esquecerei desse acontecimento 
na vida de minhas retinas tão fatigadas. 
Nunca me esquecerei que no meio do caminho 
tinha uma pedra 
tinha uma pedra no meio do caminho 
no meio do caminho tinha uma pedra
                                      Carlos Drummond de Andrade

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Leia O Menino Maluquinho do Ziraldo