sábado, 2 de abril de 2011

O pombo

            Vinícius de Moraes contava ter ouvido de uma sua tia-avó, senhora idosa muito boazinha, que um dia ela estava na sala de jantar, em sua casa do interior, quando um lindo pombo pousou na janela. A senhora foi se aproximando devagar e conseguiu pegar a ave. Viu então que em uma das patas havia um anel metálico onde estavam escritas umas coisas.
            — Era um pombo-correio, titia.
            — Pois é. Era muito bonitinho e mansinho mesmo. Eu gosto muito de pombo.
            — E o que foi que a senhora fez?
            A senhora olhou Vinícius com ar de surpresa, como se a pergunta lhe parecesse pueril:
            — Comi, uai.
                                                                                                                  Rubem Braga

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